Ah, voltamos ao português (isto é, relativamente a panelas, frigideiras e varas voadoras, extremamente descoordenadas e sem qualquer misericórdia pela população vizinha). É uma visão violenta, se não chocante até. Absolutamente fascinante e inspiradora, no meu ponto de vista.
Vamos por os pontos nos “is”. Um cozinheiro que não tenha “o lodo” enraizado no ser, não é de facto um cozinheiro que se preze. Pronto…sou má. Pode ser considerado como alguém com grande talento para fazer “omelletes” e um molho “hollandaise”. Mas não é um cozinheiro.
Possuímos uma característica de que a língua inglesa define como “temper” (em português, bem que pense como um eufemismo, é um género de humor sensível). Queremos responder, berrar, atirar com os sautées, as tigelas de inox, e até as formas de madeleines à cara do Chef. Mas o Chef quer, pode, e normalmente cai na tendência de o fazer.
Se não existe esta fúria (mesmo quando se está de folga), não se trata, pura e simplesmente, de um cozinheiro.
Digam o que disserem (especialmente dirigido à categoria do salgados), os pasteleiros têm um “temper” perigoso. Não é só o Marco Pierre White que o tem (não haja enganos, é um dos melhores cozinheiros do nosso tempo), ficam já a saber. Fazes merda e não dá para juntar mais vinho branco, demi-glace ou reduzir não sei que mais. Fizeste merda e pronto. Acontece que o Chef fica decididamente na merda. E agora além de a teres feito, vais recambiado para a sua incontornável fonte: a merda.
A partir de agora és considerado como catastrophe. Sou um deles. Até acho que seja um nome bastante cómico e respeitável. Existe uma palavra em ídiche que encaixa perfeitamente nestes parâmetros: klutz.
E depois existe o terroriste. Isso quer dizer que não só fizeste merda, mas insultaste a honra da pastelaria (deixa estar que na cozinha também já lá anda). A versão mais familiar é, como por exemplo, estares-te a cagar. Do género fazer à pressa porque estás com uma alta ressaca ou andaste a fumar umas antes de entrar em serviço. Sou apoiante de ambas as actividades. Por essa razão, levo TEMPO a fazer TODAS bem. Quem não o faz, merece outro nome em ídiche que utilizo com muito apreço: schmuck.
Vejam isto como um 101, tutorial, ou uma anedota. Ou então tenham medo e não se aproximem, porque vem aí uma panela de caramelo a voar (geralmente a 165 graus centígrados)…
passei por aqui
gosto !
a simplicidade na forma de expor tem tudo para ter bons resultados.
beijinhos e até breve Confeiteira
Carlos